Num tempo em que o humanismo parece estar na encruzilhada e a tecnologia domina a cena do mundo, a impaciência toma o lugar da esperança e a vida parece emparedada. São os paradoxos que a humanidade, perplexa, busca em resposta às questões que ganham proporções inimagináveis. 

Dentre os muitos desafios, destacam-se as questões da educação e da escola no presente e do futuro, da formação e o treinamento das atuais e novas gerações. 

Qual a relação dos meios de comunicação e de entretenimento com as inovações tecnológicas nas experiências e processos de formação de profissionais, líderes e educadores do futuro? De que modo os produtores de tecnologia e pensamentos inovadores respondem aos temas e desafios do nosso tempo? 

O que aqui chamamos de inovação em filosofia expressa e responde aos impactos das novas tecnologias na vida de milhões de pessoas em todo mundo. Dependendo da forma como a inovação tecnológica é conduzida, ética e filosoficamente, pode significar a liberdade e a independência dos indivíduos ou o enclausuramento de multidões nos aparelhos do poder dos bancos de dados; pode tornar o mundo sustentável e governado em paz e com a tecnologia a seu favor, ou desequilibrar as nossas certezas e esperanças quanto ao futuro das instituições e formas de vida livres e inteligentes. 

Abrimos por um momento um pequeno espaço em nossas agendas de prioridades para chamar e conversar sobre temas de extrema urgência, responsabilidade e complexidade. São questões que aproximam e separam os conceitos de humanismo, da comunicação e da tecnologia desde uma abordagem educacional e filosófica inovadoras. 

Decidimos então abrir um ciclo de leituras e estudos sobre os Filósofos Inovadores da Cidade Futura, ao mesmo tempo em que seguimos a série “Convite para Pensar” na forma de minicursos, aulas-palestras e/ou encontros preparatórios para trabalhar questões e textos selecionados das obras desses três importantes pensadores: José Ortega Y Gasset, Peter Sloterdijk e Vilém Flusser. 

Num primeiro momento, imaginamos um encontro entre ‘o especialista’ e “o filósofo” para meditar sobre a técnica e o homem em suas circunstâncias. Desse modo, para além da técnica e dos usos que fazemos dela, poderemos com as meditações de Ortega Y Gasset abrir uma conversa sobre as escolhas que possam tirar o humanismo da encruzilhada em que se meteu. 

O que fazer, com quem fazer e como fazer para contribuir e tirar o humanismo da encruzilhada em que se encontra? 

Num segundo encontro, lemos e pensamos com Peter Sloterdijk. Ele entra em cena para confrontar antigos e novos campos de treinamento e ascese que dominam as formas de vida exercitante – traduzida, em seus estudos, no imperativo “Precisas mudar a tua vida

Qual o impacto das antropotécnicas modernas nos ambientes de treinamentos criados dentro e fora das empresas e que deixam para trás os velhos sistemas escolares e de educação? 

E, para encerrar o bloco, a importante contribuição de Vilém Flusser e sua obra visionária sobre a comunicologia futura. Começamos pela distinção que ele faz entre a comunicação em rede ou por aparelhos de enfeixamento da vida e os estreitamentos dos espaços da política e dos jogos dominantes de linguagem e poder. 

Depois de decretar “o fim da escrita” e prospectar o imperativo computacional, haverá espaço para a leitura e escola como conhecemos em um mundo codificado? 

Qual a relação – se é que é razoável fazermos essa relação – entre três filósofos inovadores ao serem lidos e pensados desde as suas contribuições para a educação e os usos e impactos tecnológicos nesta que é a instituição mais importante de nosso tempo: a escola? 

Com o propósito de ligar e destrinchar esse nó-temático entre filosofia, educação e tecnologia desde uma perspectiva inovadora; elegemos um tema axial comum destacado da obra de cada filósofo para, num segundo momento, estarmos juntos no seminário Exigências da Educação – usos da tecnologia e inovação em filosofia nas escolas e nas profissões. Acreditamos que a aproximação das obras desses filósofos e seus comentadores poderá contribuir imensamente com a formação do corpo letivo, de líderes e de profissionais que buscam respostas aos desafios desde dentro e de fora do ambiente escolar. 

Quem sabe esta será uma oportunidade para refletirmos em que medida as respostas que buscamos e apresentamos no curso desse programa podem contribuir para fazer da escola o coração da democracia e, da educação, um campo de vida, de conversação e fazeres inventivos. 

Que as contribuições dos convidados e participantes desse ciclo de leitura e construção do seminário, nos limites de nossas possibilidades, expressem as motivações dos seus realizadores. Que a urgência que temos para encontrar saídas não deixe ninguém indiferente frente ao principal desafio de nosso tempo no Brasil e em nossas cidades: a escola e a educação das atuais e novas gerações de brasileiros.