Em artigo publicado pelo jornal argentino Clarín, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han levanta questões sobre a COVID-19 e o futuro, nos termos de uma saída que, para ele, fortalecerá o capitalismo de vigilância, com a exacerbação dos mecanismos biopolíticos de controle digital global. A questão de choque posta pelo filósofo está em que tudo isso será feito em nome da proteção ao indivíduo, algo que atinge fatalmente o coração dos princípios liberais do Ocidente, cujas estruturas políticas não têm oferecido as respostas mais eficazes se comparadas aos países asiáticos no controle da pandemia.

“A ameaça do terrorismo já nos levou a nos submeter a medidas de segurança degradantes nos aeroportos sem apresentarmos o mínimo de resistência. Com os braços levantados, deixamos que examinem nossos corpos. Nós permitimos que eles nos apalpem em busca de armas escondidas. Cada um de nós é um terrorista em potencial. O vírus é o terrorismo que vem do ar, representa uma ameaça consideravelmente maior do que a do terrorismo islâmico. É intrínseco à lógica de tudo isso pensar que a pandemia terá consequências que transformarão toda a sociedade em uma zona de segurança, numa quarentena permanente em que todos serão tratados como portadores potenciais do vírus.”

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