No dia 05 de março, a convite da Cidade Futura, o professor José Miguel Wisnik apresentou sua leitura do livro Comunicologia: reflexões sobre o futuro, complementando a formação em Vilém Flusser iniciada no primeiro encontro do minicurso Introdução aos Filósofos Inovadores: uma compoesia.

Flusser é um dos três pensadores estudados na jornada 2019-2020 do programa Filósofos Inovadores, junto de José Ortega y Gasset e Peter Sloterdijk, e foi apresentado no mesmo dia pelo professor José Paulo Teixeira durante a aula Os Alfabetos de Flusser (veja o roteiro da aula aqui).

Abaixo disponibilizamos um roteiro elaborado pelo antropólogo da Cidade Futura, Eugenio Lacerda, sobre o conteúdo ministrado por José Miguel Wisnik. Acompanhe o áudio da aula e o guia para a Comunicologia de Vilém Flusser!

Escute aqui o áudio

ABERTURA – 3.15 -4.43
A aposta utópica de Flusser sobre o livro “Comunicologia reflexões sobre o futuro, Martins Fontes, 2014”.

SEQUENCIA 4.44 -36.02
Para Flusser, o ser humano é armazenador, processador e transmissor de informações, está destinado à troca subjetiva.

A escola é o lugar do ócio, o shabat como o lugar de instauração de um futuro estado de conectividade: a rede.

Do homo faber ao homo sapiens; e do homo sapiens ao homo ludens.

Flusser anuncia o otimismo e o horror da sociedade tecnológica.

Distinção importante feita pelo filósofo: o FEIXE (fáscio > fascismo) e a REDE.

A aposta pascaliniana de Flusser: viu a futura REDE como produtora de empatia no jogo da comunicologia. Sua aposta, no entanto, não previu o que hoje ocorre: a faccionalização, o ódio e as fake news. O fáscio acaba por retornar via rede.

Mas Flusser identificou as potencialidades afirmativas das tecnologias digitais.

Elementos flusserianos para a leitura da atualidade, o chamado mundo da pós-verdade: em Flusser a vida vai se tornando ficção.

Em passagens do livro, tais elementos aparecem: a ideia de informação em Flusser faz Wisnik trazer Pierre Levy e Dorival Caymmi, para discutir os processos criativos. A ideia da politica como ficção (Flusser cita o presidente francês François Mitterrand não mais como ser político, mas como imagem teatral da república francesa). O regime ficcional toma conta do espaço público, promovendo uma explosão atômica das subjetividades e fragmentação.

FINAL – 36.20 – 43.27
Uma leitura flusseriana do tempo presente leva-nos a observar a disputa pela hegemonia narrativa: o mundo à-solta das pós-verdades, torna-se o ar que respiramos. Mas, a leitura que Wisnik retira de Flusser leva-o a anotar que, no jogo algorítmico da rede, emergiu a revanche do inculto que é fruto de uma combinação perversa entre programadores, robôs e seguidores.

Wisnik conclui revelando a inspiração de Flusser, o seu ponto de engate para um novo trabalho sobre ficção, fake news e teoria narrativa: o eu e o você no jogo interativo pronominal da língua.