A Música e o seu papel na formação de leitores

Notícias 12/06/2016

Rennã Fedrigo*

Manuel Bandeira em Itinerário de Pasárgada (1966 p. 120) escreveu que somos duplamente prisioneiros: de nós mesmos e do tempo em que vivemos e, dessa maneira, não existe chance de sermos inatuais. É praticamente este o processo que artistas envolvem e também são envolvidos em suas produções. Aqui me refiro aos artistas dos mais variados segmentos: compositores, poetas, escritores, pintores, escultores, cineastas e etc.

Há cerca de um século atrás, compositores e músicos eram indispensáveis para que existisse música. Isso se deu até a era da rádio, onde compositores e arranjadores se destacaram nacionalmente e internacionalmente. No caso do Brasil surgiram nomes como os de Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Sivuca e outros. Com a indústria das gravações, principalmente o compositor, ou seja, o artesão responsável por fazer música perdeu o seu papel social. Para se escutar música bastava comprar um álbum e colocá-lo para tocar. Hoje, com a  era digital, basta apertar o “play”.

                            

É comum no nosso país encontrarmos músicos, mais precisamente cancionistas que também possuem produções literárias de primeira linha como é o caso de Caetano e de Chico. Isso tem uma explicação, como afirma Luiz Tatit em seu artigo Cancionistas Invisíveis: “canção não é gênero, mas sim uma classe de linguagem que coexiste com a música, a literatura, as artes plásticas, a história em quadrinhos, a dança etc. É tudo aquilo que se canta com inflexão melódica (ou entoativa) e letra. Não importa a configuração que a moda lhe atribua ao longo do tempo”. Tatit  é um outro caso de músico e linguista brasileiro com uma extensa produção intelectual.

O papel da música no projeto é estimular que crianças e jovens descubram novos artistas, que esses artistas enriqueçam a cultura literária e musical dos que os encontrarem e que a corrente siga. A era digital também fez com que cancionistas que antes não tinham lugar junto às gravadoras pudessem mostrar seu trabalho sem depender mais deste meio. Produções independentes, de bagagem enriquecedora surgem a todo momento, basta usarmos as nossas ferramentas tecnológicas e encontrá-las. Podemos iniciar refletindo sobre o que escutamos e o por quê fazemos. Que tal?

 

“Caminhando contra o vento

Sem lenço, sem documento

No sol de quase dezembro

Eu vou”

- Alegria, Alegria de Caetano Veloso

 

*Rennã Fedrigo é formado em Composição Musical pela Universidade Federal de Pelotas, participou do Bom de Ler dos 14 aos 17 anos. Atualmente ministra oficinas de Música no Projeto Bom de Ler e em outras iniciativas do Instituto Parati, como Música no Parque. 

Entrevista com José Miguel Wisnik


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